sexta-feira, 4 de junho de 2010

2ª Conclat aprova agenda de lutas para as eleições de outubro/2010

Documento aprovado dia 1º de junho, no Pacaembu, será entregue aos candidatos e candidatas à Presidência da República


A Agenda da Classe Trabalhadora para as eleições de 2010 foi aprovada pela unanimidade das trabalhadoras e trabalhadores presentes à Assembleia da 2ª Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora), realizada dia 1º de junho, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. A 2ª Conclat, retomada após 29 anos da realização da primeira edição, reuniu cinco centrais sindicais (CTB, CGTB, CUT, Força Sindical e NCST) e um total de 22 mil pessoas vindas dos vários estados brasileiros em caravanas, com mais de 600 ônibus, para implantar a plataforma em defesa da soberania e da independência nacional, um pacto unitário a ser entregue aos candidatos e candidatas a Presidência do Brasil.

Nem mesmo a chuva fina persistente atrapalhou a chegada dos manifestantes ao estádio municipal do Pacaembu que, antes do final da manhã, estava praticamente lotado. Em cada setor de arquibancadas, as centrais sindicais deram o brilho de suas bandeiras e o grito de guerra da classe trabalhadora, com destaque à luta pela implantação das 40 horas semanais de trabalho sem redução de salário e contra a criminalização dos movimentos sociais. "Viva a unidade, um exemplo a ser seguido contra a tirania da exploração. Vamos à luta pela justiça social que todos merecemos, viva o sindicalismo brasileiro unido", conclamou o dirigente da Federação Sindical de Cuba, Ramón Carbona, um dos muitos oradores que estiveram no palco, montado atrás de uma das goleiras do estádio.

"A dispersão não nos trará conquistas, temos que avançar juntos na luta pela jornada de 40 horas e pela igualdade de direitos, pelo fim do fator previdenciário e na defesa do reajuste de 7,72% para os aposentados", manifestou-se o presidente da Nova Central, José Calixto Ramos, bandeiras defendidas também pelo presidente nacional da CUT, Arthur Henrique, que citou ainda "o combate à terceirização e um desafio maior ainda: não permitir o retrocesso, a volta daqueles que implantaram as políticas neoliberais no país". A 2ª Conclat aprovou a Agenda, em que são detalhadas dezenas de diretrizes de ação reunidas em seis eixos estratégicos: Crescimento com Distribuição de Renda e Fortalecimento do Mercado Interno; Valorização do Trabalho Decente com Igualdade e Inclusão Social, Estado como Promotor do Desenvolvimento Socioeconômico e Ambiental; Democracia com Efetiva Participação Popular; Soberania e Integração Internacional; e Direitos Sindicais e Negociação Coletiva.

MANIFESTO

A Conferência Nacional da Classe Trabalhadora – Assembléia de 1º de junho de 2010 - realiza-se num momento em que o mundo ainda é perturbado pelas crises do capitalismo. Ao longo das últimas décadas, o processo de globalização hegemonizado pelo capital financeiro, fez com que os Estados nacionais perdessem, progressivamente, sua capacidade de gerar, controlar e executar políticas de suporte ao desenvolvimento econômico; de inclusão social com a geração de emprego, renda e valorização do trabalho. Nós, trabalhadores e trabalhadoras e nossas organizações sindicais, sempre denunciamos os vários problemas sociais e econômicos que derivam da implementação das políticas neoliberais: a desestruturação econômica; a fragilização do poder do Estado; a exclusão social e desregulamentação do mercado de trabalho, com milhões de famílias vítimas do desemprego; o acirramento sem controle da competição em todos os níveis, inclusive entre países, regiões e governos; a desvalorização do papel do empreendedor produtivo em prol da especulação financeira; a instabilidade e a precarização das relações de trabalho, marcada pela crescente informalização, pelos baixos salários e por restrições à ação sindical; o descaso com o desenvolvimento ambientalmente sustentável, entre outros.

Em resposta às crises econômica, política e ambiental, é preciso construir uma nova agenda dos trabalhadores e trabalhadoras do Norte e do Sul. É preciso colocar na ordem do dia o fortalecimento dos nossos laços internos de solidariedade e de cooperação internacional, de forma a potencializar aluta por novos modelos de desenvolvimento sustentável... Ao invés de competitividade, é preciso implantar, como princípio, a qualidade de vida. Temos que ter consciência que, frente aos problemas globais que ameaçam a todos, não existem soluções individuais. Ou vencemos todos, ou ninguém vence!

No Brasil... permanecem, ainda, muitos problemas a enfrentar e uma enorme dívida social a ser superada. No âmbito do mercado de trabalho, destacamos o alto desemprego, os baixos salários, a informalidade, a rotatividade da mão de obra e as discriminações, além da participação reduzida dos salários na renda nacional. Com a Conferência/Assembléia, a classe trabalhadora une ainda mais forças para lutar por um projeto nacional de desenvolvimento, orientado por três valores fundamentais: a democracia, a soberania do país e a valorização do trabalho.

O ano de 2010 é significativo para a classe trabalhadora brasileira. A eleição de outubro, marcada pela disputa entre distintos projetos políticos, é uma singular oportunidade para selarmos compromissos com o avanço das transformações necessárias à construção de um país igualitário e democrático. Nossa presença ativa no processo e no debate eleitoral deve buscar impedir retrocessos, garantir e ampliar direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Por isso, é fundamental eleger candidatos comprometidos com as bandeiras da classe trabalhadora.

Reafirmamos nosso compromisso de luta para ampliar direitos e conquistar uma nova sociedade, solidária e justa. A inclusão social e valorização do trabalho decente são os pilares para que o Brasil se consolide como um país onde homens e mulheres, do campo e da cidade, trabalhem e vivam com qualidade e dignidade.

São Paulo, 1º de junho de 2010.
CONFERÊNCIA NACIONAL DA CLASSE TRABALHADORA - ASSEMBLÉIA
Central Única dos Trabalhadores
Força Sindical
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
Nova Central Sindical dos Trabalhadores
Central Geral dos Trabalhadores do Brasil
_________________________________________________________
INFORMA

sábado, 22 de maio de 2010

Sexta-feira, 21 de maio: O dia em que 1964 voltou a Floripa

Relato da repressão aos protestos contra o aumento da tarifa do transporte público em Florianópolis de 21 de maio.

Repressão brutal aos manifestantes.

Pessoal, a todos aqueles que ainda não se envolveram na luta contra o terrível sistema de transporte de Florianópolis instituído por empresários e prefeitura ... a repressão na sexta-feira (21 de maio) alcançou novos patamares.

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/05/471979.shtml

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Lideranças comunitárias e sindicais prestigiam o lançamento de livros

Jaraguá do Sul – A saga de migrantes paranaenses em Jaraguá do Sul e a tragédia dos catarinenses na enchente de novembro de 2008. Estes temas estão nos livros "Paranaenses em Movimento: Trajetórias e Travessias Migratórias (1980-2000), do professor-doutor em História, Ancelmo Schorner, e SOS Comunidade Vale do Itajaí –Monitoramento e Organização Comunitária em Desastres, produzido pela Abong (Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais) e lançados pelo Centro de Direitos Humanos e os Sindicatos de Trabalhadores de Jaraguá do Sul e Região. O lançamento dos livros foi em 30 abril, no auditório do Sindicato dos Trabalhadores no Vestuário, como parte da celebração pela passagem do 16 de maio - Dia Internacional do Trabalhador. Compareceram ao evento sindicalistas e lideranças comunitárias e políticas da região, além de integrantes do Centro de Direitos Humanos de Joinville, entidade responsável pela pesquisa e divulgação do SOS Enchente.

Morro da Pedra
O livro do professor Ancelmo Schorner foi apresentado como parte da tese de doutorado em História da UFSC. É fruto de pesquisa feita no Morro da Pedra, localidade do Bairro Estrada Nova, com base em entrevistas com os migrantes paranaenses que moram no local, mais especificamente com os paranaenses vindos dos Campos de Guarapuava, norte do Paraná. Trata-se da história desses migrantes e sua relação com a região, suas oportunidades de trabalho e especialmente o modo como são tratados pelas pessoas nativas.

O Morro da Pedra é habitado quase que exclusivamente por migrantes do norte do Paraná. Chegaram à época da expansão econômica da região, que careceu de braços para a indústria, a partir da década de 60. O livro do professor Ancelmo resgata a importância da participação dos migrantes no crescimento da cidade e denuncia o preconceito e a discriminação que sofreram e ainda sofrem por serem pessoas "de fora". Este preconceito começou a surgir na década de 1990, sendo mais visível na imprensa.

SOS Comunidade Vale do Itajaí – Monitoramento e Organização Comunitária em Desastres
Trata-se de um relatório (textos e fotos) dos danos causados pela enchente de novembro de 2008 no Vale do Itajaí e norte de Santa Catarina. Em Jaraguá do Sul, 13 pessoas perderam a vida nos deslizamentos ocorridos em novembro de 2008. Este livro já foi lançado no Fórum Social Mundial, em janeiro, em Porto Alegre, pelo Centro de Direitos Humanos Maria da Graça Braz, que é parceiro da Abong na pesquisa feita nos municípios atingidos pela catástrofe natural de 2008. Exemplares serão doados pelo CDH de Jaraguá do Sul às para as prefeituras da microrregião, à Associação dos Municípios do Vale do Itapocu (Amvali), Câmara de Vereadores, Biblioteca Pública e Arquivo Histórico.

Fotos: Professor Ancelmo Schorner autografa o livro sobre a migração de paranaenses para Jaraguá do Sul; Diretora do CDH Joinville, Irma Kniss, fala sobre o livro SOS Enchente.

INFORMA

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Marcha dos Catarinenses reúne quatro mil pessoas

Florianópolis - A concentração dos trabalhadores e trabalhadoras que participaram da Marcha dos Catarinenses – Pela Vida e Saúde da Classe Trabalhadora foi na Praça Tancredo Neves, em frente à Assembleia Legislativa. Foram chegando aos poucos e tomando conta do espaço. Cada sombra disputada e dividida. Todos em volta do caminhão de som, de onde partia as orientações aos manifestantes e de onde as lideranças deram o seu recado. Vieram de todos os pontos de Santa Catarina. Tinha gente do Norte, do Sul, do Meio Oeste e da capital também. No total, a coordenação estima que 4 mil trabalhadores e trabalhadoras saíram da praça em caminhada pelas ruas centrais de Florianópolis na tarde de 28 de abril.

A Marcha manifesta a indignação dos trabalhadores e trabalhadoras com a política de saúde para os portadores de doenças do trabalho e vítimas de acidentes de trabalho e celebra o Dia Internacional em Memória das Vítimas de Doenças e Acidentes de Trabalho, em 28 de abril. Todas as bandeiras de lutas dos trabalhadores e trabalhadoras de Santa Catarina foram levantadas a uma só voz na Marcha dos Catarinenses, que foi promovida em conjunto por todas as centrais sindicais de trabalhadores do Estado, a Fetiesc, o Movida (Movimento em Defesa da Saúde e Segurança da Classe Trabalhadora Catarinense), CNTI, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e Movimento das Mulheres Trabalhadoras Urbanas (MMTU). Esqueceram as diferenças em nome do compromisso para com a luta da classe trabalhadora.

Os manifestantes denunciaram a exploração e a falta de reconhecimento do patrão para com os trabalhadores e trabalhadoras, o assédio moral e sexual, os baixos salários e outras formas de exploração. No trajeto, foram distribuídos entre a população material informativo contendo os motivos e os objetivos da Marcha, entre eles, a redução da jornada de trabalho, a valorização do piso estadual de salário, implementação do piso nacional da educação, valorização dos servidores públicos, universalização dos direitos sociais, ética e moralidade na política e reforma agrária e política agrícola.

Apoio político

Os deputados do PT na Assembleia Legislativa, Dirceu Dresch e Pedro Uczai, e Ângela Albino, do PCdoB, subiram no caminhão de som e se pronunciaram favoráveis à Marcha e às reivindicações dos manifestantes. Todos apontaram a união das centrais sindicais como fator decisivo para a conquista das reivindicações e citaram como exemplo a aprovação do Piso Estadual de Salário, em setembro do ano passado. A ex-presidente do PT de Santa Catarina, Luci Choinacki, foi contundente em seu discurso, dirigido especialmente às mulheres: "Não nascemos apenas para criar filhos e trabalhar. Somos capazes de transformar o mundo", falou Luci, que é pré-candidata a deputada federal. Vereadores da capital e de outras cidades, assim como ex-deputados e pré-candidatos às eleições deste ano também demonstraram seu apoio participando da manifestação.

Dificuldade para trabalhar

O bancário Luiz Carlos Godinho, 55 anos, é bancário em Florianópolis e ao longo dos muitos anos de profissão acabou com problemas nos ombros. Acontece que Godinho é paraplégico e, para trabalhar com mais comodidade, precisaria de móveis adaptados a sua condição física. "Mas essa adaptação nunca aconteceu e estou lutando com a perícia para ver se reconhecem meu problema nos ombros", conta o bancário, que participou da Marcha. De acordo com ele, a manifestação foi muito boa, mas poderia ser melhor. "Pelo número de trabalhadores doentes e acidentados do trabalho, acho que tem pouca gente", resumiu o bancário.

Fetiesc entrega cartilha sobre doenças do trabalho

 
A Fetiesc (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Santa Catarina) confeccionou milhares de cartilhas que abordam os mais variados aspectos das doenças e acidentes de trabalho. A publicação foi distribuída entre os participantes da Marcha e ao povo nas ruas da capital. A Fetiesc desenvolve um trabalho de longa data na prevenção e conscientização no que se refere à saúde dos trabalhadores e trabalhadoras. O presidente da Fetiesc, Idemar Antônio Martini, classificou a Marcha como um marco na história de luta dos trabalhadores catarinenses e prevê maior número de pessoas na manifestação de 2011. "Ano que vem vamos reunir 10 mil trabalhadores e trabalhadoras para celebrar o Dia Internacional em Memória às Vítimas de Doenças e Acidentes de Trabalho", planeja.

Movida nas camisetas dos manifestantes

O Movida – Movimento em Defesa da Saúde e Segurança da Classe Trabalhadora – esteve presente não apenas no emblema das camisetas usadas pelos manifestantes. O Movida foi pioneiro na luta pela saúde do trabalhador ao denunciar as dificuldades dos lesionados com a perícia médica do INSS e cobrar dos representantes do governo a implantação de uma política de saúde pública favorável aos trabalhadores. Foi fundado pela Fetiesc em 6 de maio de 2003. Ao longo destes anos promoveu manifestações em várias cidades do Estado, tendo como tema o Dia Internacional em Memória das Vítimas de Doenças e Acidentes do Trabalho. Ganhou abrangência nacional com o Movida Brasil e a realização do 1º Encontro Nacional para apurar a conivência dos peritos do INSS com os médicos de empresas no fornecimento dos laudos.

Nos anos de 2004 e 2005 o Movida promoveu audiências públicas na Assembleia Legislativa, com participação expressiva da classe trabalhadora. Em 2006 a manifestação aconteceu em Blumenau; em 2007, em Florianópolis, em frente à Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina) e pelas ruas centrais da capital; em 2008, em Lages, com adesão do trabalhador do campo; em 2009, em Jaraguá do Sul; e, em 2010, novamente na capital.

INFORMA

segunda-feira, 26 de abril de 2010

CDH e Sindicatos de Trabalhadores lançam dois livros no dia 30 de abril

Jaraguá do Sul – O Centro de Direitos Humanos de Jaraguá do Sul e os Sindicatos dos Trabalhadores de Jaraguá do Sul e Região promovem, dia 30 de abril, às 19h30, no auditório do Sindicato dos Trabalhadores do Vestuário, o lançamento de dois livros: SOS Comunidade Vale do Itajaí – monitoramento e organização comunitária em desastres – e "Paranaenses em Movimento – Trajetórias e Travessias Migratórias – (1980-2000)", do professor-doutor em História, Ancelmo Schorner. A promoção integra as homenagens das entidades sindicais ao 1º de maio - Dia Internacional do Trabalhador.
A primeira publicação é da Abong (Associação Brasileira de Organizações não Governamentais) e se trata de um relatório dos danos causados pela enchente de novembro de 2008 no Vale do Itajaí e norte de Santa Catarina, mais especificamente, a cidade de Jaraguá do Sul, onde 13 pessoas perderam a vida nos deslizamentos ocorridos em novembro de 2008. Este livro já foi lançado no Fórum Social Mundial, realizado em janeiro, em Porto Alegre.

Trajetórias e travessias

O livro do professor Ancelmo Schorner foi escrito a partir de pesquisa realizada pelo próprio autor na comunidade do Morro da Pedra, reduto de paranaenses, no Bairro Estrada Nova. As condições reais da vida urbana a que são relegados os migrantes, as tensões existentes entre os nascidos aqui na região e as pessoas "de fora", são situações expostas no livro, que também revela a superação e as lutas da comunidade pelo direito à cidade. O professor Ancelmo estará presente ao lançamento.

INFORMA